Amigo queridos. Abandonei esse blog pra fazer parte de um outro projeto muito mais divertido:
Escrever num blog com meu pai. Voces não vão perder, né?

http://blogtardio.blogspot.com/

Véspera de Natal


Quando se acorda, às vésperas do natal, que ia-se trabalhar, mas por algum motivo esdrúxulo do destino - o desarranjo intestinal de um superior, ou o sexo matutino estendido do cliente - fica-se em casa, a idéia de um passeio repentino passeia na mente como se fosse o açúcar num copo de café sendo misturado com a força de uma criança irritada.


O calor dessas bandas irrita, mas a descarga feliz da urina contida e um telefonema de uma tia que a muito não se tinha notícia dissolve a idéia de um passeio pela praia. Até pelo motivo da inauguração de novas estações de Metro por perto, o que deve estar aumentando significativamente a população empenhada nesse mesmo tipo de intenção.


Passeia-se por retrospectivas na TV e por um cigarro suado - que parece que imundece a garganta - além de um copo de água - bem gelada - e de algumas frutas cristalizadas que sobraram em cima na mesa da cozinha.


Nada mais resta. Coloca-se roupa de sair e batendo a porta com força desce sem acender as luzes do corredor do prédio. Nenhuma palavra com o porteiro - as palavras parecem precisar de economias pra tempos adiante.


Uma cerveja, memórias de alguns amigos que gostaria saber onde andam, outros que não gostaria, definitivamente, saber onde andam quando se reconhece com um senso maior do que o comum que se tem ainda coisas muito boas na vida, que esse ano não foi dos mais benevolentes, mas a certeza de que no próximo, o bem germinado não terá como não surtir efeitos fantásticos e belos.


Mas uma chuva e uns dez graus a menos cairiam como uma luva.

Ataduras

por Danilo Lemos


O mundo anda muito estranho. Ao mesmo tempo que assistimos a realidade, que talvez seja uma moça não ter dinheiro pra comprar uma pomada que amenizará a coceira proveniente de uma operação para a retirada de um câncer no reto, ou outras realidades muito piores, existem especialistas japoneses que estudam técnicas para rejuvenescer óvulos de senhoras que não poderiam ter filhos. É óbvio que a primeira não saiu nas páginas de nenhum jornal.

Nós acabamos de passar por um período de Pânico com uma crise mundial e os nossos líderes - internacionais - vaticinaram que precisávamos de um outro modus operandi para nossa sociedade a custo de colapsos, crashs e tantas palavras de sentido bem negativo. E no entanto, continuamos consumindo essas manchetes no mínimo aterrorizantes.

Existem especialistas dizendo que o álcool e o tabaco causam maiores danos a saúde que maconha, LSD e ecstasy. No mesmo país, na Inglaterra, outros especialistas afirmam que quem toma de 3 a 11 doses de vodka por dia tem 50% menos chances de ter problemas cardíacos. Que deve ser porque antes, as pessoas devem morrer de cirrose, não? Outra questão: especialistas em álcool, tabaco, LSD, maconha e ecstasy, não seriam viciados?

O FMI garante que a economia global segue vulnerável, ao mesmo tempo que as bolsas asiáticas não param de crescer . Os artigos de luxo voltaram a vender muito, o que quer dizer que novamente na ponta da tabela o pessoal voltou a ganhar muito dinheiro.

Somos bombardeados por antíteses. O papel da mídia, que luta tanto por liberdade de expressão nesses tempos de jornalistas sequestrados na Colômbia, de blogueira radicada em Cuba, de informações forjadas pelo governo de Israel em guerras completamente sujas, ou mesmo da negra cortina de fumaça dos países islâmicos mais radicais, onde, teoricamente, temos a tal liberdade ela serve de pouca coisa.

Enquanto o degelo começa a atingir a Antártida Oriental, o que é relativamente novo e perigoso, pois o fenômeno que começou a ser notado em 2006 já resulta numa perda de massa de 132 quilômetros ao ano, a revista "Science" aponta que a opinião pública americana desistiu de debates sobre questões climáticas.

Viramos opinião pública. Que como diria o Millôr Fernandes é uma opinião particular que saiu as ruas. E como não conseguimos ter uma opinião geral sobre todos os assuntos, e como todo e qualquer assunto é tratado como produto pelos veículos de comunicação (até porque, afinal de contas, é só isso mesmo), qualquer temática é exaurida até que a opinião pública se canse dessa e ache mais divertido polemizar a declaração das autoridades sanitárias da Hungria com a linda frase publicada "Papai Noel idoso, obeso e com doença crônica deve se vacinar".
Mas o mundo continua girando. Os fudidos continuam morrendo em enchentes em lugares como a Baixada Fluminense, ou por desabamentos, ou por fome mesmo em qualquer lugar do mundo. Enquanto isso a gente questiona as habilidades políticas da Dilma, ou a retomada da força do PSDB do Serra. Sendo que a única coisa que temos certeza é que pela primeira vez teremos dois candidatos carecas. Continuamos a dar atenção a estupidez pequena de leis antitabagistas e aos 74km de congestionamento na volta do feriado. Com a certeza de que amanhã tudo estará um pouco pior. Tudo são notícias. Com o oferecimento de grandes empresas do ramo bancário ou de mega corporações de comércio de varejo. Viva a liberdade de vender o invendável.

Dúvidas e Prosas

- Jogamos em dois times juntos agora...
- Das dúvidas e prosas
- Bonito isso...
- hehehehe.
- Das dúvidas e prosas... Bom título pra alguma coisa.
- somos nós, oras!

Rodoviária

O mundo segue na velocidade dos que tem olhos. O chão de mármore. A mágica branca e amarela da luz. Zumzum.

Bate Papo do Apagão


- Porra... Mas todo mundo vai falar de apagão. Ninguém vai querer ler essa bodega! Falei pra você escrever isso ontem de tarde. Todo mundo ia achar você um mago! Tipo o Paulo Coelho, só que sem viadagem.


- Você acha que não ia dar merda? Eu sou o cara mais azarado do universo. Se eu escrevo uma porra dessa, neguinho me espanca na rua e o caralho. Ia deixar a Geisy no chinelo.


- Tu viu? Tão dizendo que ela vai sair na playboy.


- Gostosa...


- É mermo...  E que porra era aquela de questões climáticas? Tu tava de porre?


 - Pior que tava... Sérginho e o Dudu enchem a cara. Acompanhar aqueles dois é loucura. Quando apagou a luz eu achei que tinha dado teto preto.


- Puta que pariu, companheiro. Só faz cagada, hein?


- Já fazia antes, tu me contratou sei lá porquê.


- Faltava um no poquer de quarta, companheiro. E o sassá tava se sentindo sozinho.


- Essa foi boa. Pára de rir, porra.


- E o tal do Barata? Que caralho. Vocês só me fodem.


- Ele ficou nervoso, meu chefe.


- Não vem me chamando de "meu chefe, não"! Esse Barata vai pro ralo. Como é que diz na BandNews que vai voltar tudo em meia hora?


- Inexperiência...


- Foda-se. Tu pode até comer essas bichas, mas o barata vai pro ralo. Sorte que São Paulo tava sem luz e, convenhamos, ninguém mais ouve rádio.


- Óquei. Tu que manda.


- Quando vem o próximo?


- Apagão? Pra essa semana aí. Mas vai ser rapidinho. Só pra dar tempo da gente desfazer o gato.


- O carequinha de São Paulo ficou puto?


- Putasso! Mas o mineiro vai resolver pra gente. Esses bico grandes são todos afetados...


- É, companheiro. To começando a achar que eu vou sentir falta disso tudo. Oito anos não dá pra nada. Talvez o Hugo esteja certo...


- Cuidado com esse negócio de nomes, patrão. Todo mundo é grampeado hoje em dia...


- Ah, fode-se, companheiro. Foda-se. Vou tomar a branquinha e vou tirar um cochilo.


- Bom cochilo, chefe.


- Quando os malucos lá de cima ligarem pra pagar, eu te aviso.


- Aí deposita a minha parte na conta do Edinho. Mas na da TV, senão dá merda.


- Tudo certo, companheiro. Tudo certo.


- Té mais, chefe.


- Té.


Podrão do Cemitério

- Foda. Fui remover um corpo lá no Hospital de Ipanema.
- Caralho, que porra é essa?
- Pô, é o meu segundo emprego...
- Como assim?
- Final de semana eu pego como motorista da funerária do meu cunhado.
- Bizarro.
- Aí, fui remover o corpo da mulher. Quem tava lá era a esposa da mulher, vê se pode?
- Que que tem?
- Pra tu ver como homossexualismo é um troço extenso, a filha da mulher tava lá com a namorada dela!
- Tu acha que homossexualismo pega? Só tu mesmo...
- Ué? A mãe dela morava com a namorada, então a filha vai morar também!
- E aí?
- Pô, Sábado tava fraquinho o movimento. Aí fiz uma arrumação maneira lá! Padrão! A gente não tem nenhuma obrigação de fazer isso. Faz mesmo pra arrumar um dinheirinho, uma gorjeta!
- Arrumou?
- Acredita que a família da mulher não foi? Não foi ninguém! Me fudi.
-Foda.
- Foda que sábado foi fraquinho. Só removi um corpo.
- Tem saído menos esse negócio de morte, aos sabados.
- Também no domingo foi foda. Só eu fiz 9 remoções!
- Caralho, tu não fica bolado com essa parada de mexer com a morte, não?
- Ih cumpadi, morreu, morreu! E é maneiro que depois da última a galera toda da funerária toma cerveja ali no cemitério!
- O quê? Vocês bebem dentro do cemitério?
- Não, porra! Lá não tem cerveja, né ô mané? Tem um boteco sujo em frente a saída do cemitério chamado "Café e Bar Cemitério de Inhaúma".
- Só tem filha da puta nesse mundo!
- Ah, mas a cerveja é gelada, e tem um podrão maneiro!
- Podrão? Só podia mesmo! Podrão do Cemitério!

Filosofias de Botequim XIII

A maioria dos seres humanos sabe de poucas coisas na vida. Uma pequena parte da humanidade realmente sabe de alguma coisa. Eu fico pensando que a sabedoria real é saber algo que os supostos sábios e os ignorantes de pedra saibam.

Por isso, pra mim, a maior verdade da humanidade para seres do sexo masculino (heterossexuais) é que a melhor coisa da vida é fazer com que garotinhas (dependendo de sua idade a idade delas varia) se impressionem com a magnitude do seu ser.

A magnitude que o seu ser, na verdade mesmo, não tem. Pois o último ser humano magnânimo foi alguém que você não sabe o nome. E tentar competir com ele é bobagem. Até porque isso não importa. O que importa é conseguir convencer algumas moças na sua reles existência de que você é o máximo.

Portanto, foda-se a Bíblia, Mao Tsé-Tung, Dostoievski, Cervantes, Dante Alighieri, William Shakespeare, Fernando Pessoa, Goethe, Franz Kafka, Rimbaud, Charles Darwin, Freud, Voltaire. E na ala brasileira: Machado de Assis, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos.

Fodam-se todos eles e suas obras. Eu é que vou dizer a maior verdade do mundo, pois encontrei a verdade absoluta!

10 Dicas Para Impressionar Lindas Garotinhas

1 – Logo nos primeiros minutos (primeiras linhas se o veículo for a escrita) você deve provar que você é um gênio absoluto e , ao mesmo tempo, com o mesmo discurso ela tem que entender que muitas daquelas idéias já passaram pela cabeça dela.

2 – Depois de conseguir fazê-la de idiota (que é o que você fez com a regra número 1 se você não percebeu), você deve tomar cuidado. Lindas garotinhas estão sempre alerta pra não caírem no conto de vigaristas como você. Então é necessário algum senso de humor discutível, e pequenas humilhações a pessoas que você perceba que ela também não gosta. Nada muito profundo, pois ela pode passar a gostar dele(a) de uma hora pra outra só pra te testar.

3 – É preciso eleger um inimigo comum. Se for numa festa, critique o nível de alcoolismo de alguém que claramente se exceda e faça uma comparação entre uma outra classe de pessoas muito mais elegante e sublime, onde ela se inclua (isso pode ser árduo. Se esforce muito e se for necessário, treine em casa tentando provar pra você mesmo que você tem escrúpulos). Se for algum ambiente onde só estejam vocês dois (isso inclui internet, cartas ou rádio amador) escolha um inimigo público, que nem precisa se tão publico, precisa só ser público pra ela.

4 – Quando você já estiver com a confiança dela na mão, prove pra ela que você em nenhum momento se interessou pela dama, por ela ser uma linda garotinha. Lindas garotinhas só gostam de ser lindas garotinhas no espelho ou raramente em alguma fantasia sexual maluca onde ela se pega alucinadamente com um ex-professor da escola meio gordinho. Lindas garotinhas, apreciam muito quando o maior gênio que ela conheceu essa semana (não se preocupem, elas não têm memória) faz muitos elogios a capacidade intelectual dela.

5 – Esse é o momento crucial dessa batalha, companheiro. É a hora de por um momento rápido você perder as estribeiras. Eu sei que pode parecer equivocado, mas acreditem: lindas garotinhas querem mais do que o maior crânio do mundo ao lado delas. Elas querem alguém impulsivo. Por isso é que foi bom você ter elegido um bode-expiatório. No caso de uma festa, ou de um bar procure discutir um pouco com alguém. Escolha sempre o bêbado de meio de festa ou um amigo que você saiba que pedir desculpas depois vai adiantar. Fale sobre coisas que você não sabe com muita propriedade. É necessário que você chegue a se convencer com o seu discurso, pelo menos por 4 segundos.

6 – Alegue que, por desconhecimento do inimigo ou por qualquer motivo mais solidário, você vai se ausentar da discussão, mas não faça isso sem gritar (não precisa muito, apenas ela precisa acreditar) que você venceu.

7 – Deixe claro, que sente muito por aquilo ter acontecido na frente dela – ou se for por meios virtuais como expliquei antes demoradamente, diga que lamenta que ela tenha sido envolvida, e lembre que nesse caso ela não pode estar envolvida de fato, mas é essencial que esteja emocionalmente – mas que aquilo também é você, e você não é perfeito.

8 – Esse é o momento do desapego. Convém um breve silêncio dramático – ou um período maior entre correspondências – e diga o quanto ela está sendo importante pra você naquele momento. Não pareça afoito de dizer que ela é a mais importante da sua vida, pois você voltará a regra 2. Seja franco – !!! – e diga o quanto ta sendo legal ela estar do seu lado naquele momento.

9 – Ela vai começar, impreterivelmente, a dizer que “achava que era só ela que estava sentindo aquilo, que tava sendo muito legal pra ela também...” e você de sopetão vai interrompê-la como algum elogio que fuja completamente do assunto. Algo do tipo – se você está perto dela – “Você tem um cheiro incrível”. Ou “Não sei se essa luz, mas agora que eu vi... você é tão bonita”.

10 – Seja criterioso. Não a leve em lugares que você não confia. A casa dela é sempre um lugar melhor, pois não deixa rastros sobre a sua vida. É necessário, pra que ela continue impressionada, que haja algum mistério. A não ser que você entre numa de casar e ter filhos. Aí, por gentileza: apague o link desse blog, ou rasgue essas páginas impressas rapidamente, meu senhor.

Mais uma no Motel Papillon....

para Bia Simonini

- Vai vir ou não?

- Não sei, to com preguiça...

- Preguiça de me ver? Ta vendo como você me trata?

- Porra, tu parece uma mulherzinha...

- E tu é mais macho que a namorada do ronaldinho...

- É que ta frio, é longe, e eu to de TPM...

- Aí, na moral, você tem quantas TPMs por mês... oito?

- Cara, to cansada... acho que não vou não.

- Ta, ok...

- Ta ok, mesmo?

- É... eu vou sozinho.

- Anh?

- É, ué. Eu vou sozinho.

- Você vai sem mim, pra aquele lugar?

- O quê que eu posso fazer? É aniversário do Caio... Eu infelizmente não posso dizer que eu to
com TPM.

- Mas vai ter um monte daquelas piranhinhas que eu não gosto lá... Você só ta dizendo que vai por que eu não quero ir...

- Não, Beatriz... Eu vou porque é aniversário do Caio. E eu to implorando pra você ir. Se você não vai, a culpa não é minha.

- Se você for, pode esquecer meu telefone...

- Anh? Só pode ser sacanagem isso... Você ta dizendo que se eu for no aniversário do meu
melhor amigo, você vai terminar comigo?

- É.

- Ok, beatriz. Beijos.

E Otávio desliga o telefone na cara dela. Ele sabe que não é macho o bastante pra conseguir sustentar essa situação por muito tempo. Ele decide tomar a atitude mais radical que passa por sua cabeça. Ele não vai à festa. Nem vai avisar a ninguém. Toma dois REMILEV® e joga sua cabeça no travesseiro.

Beatriz, que não queria ir na festa do Caio, pois alguns sentimentos ocultos tinham aflorado pelo melhor amigo de seu namorado, se sente culpada e decide tomar a atitude mais radical que passa por sua cabeça. Veste uma boa saia, um tomara que caia vermelho e vai a festa de Caio sem avisar a ninguém.

Artur Nunes Coimbra, atacadista do ramo de calçados, que há muito tempo não encontrava ninguém na vida, escuta o garçom do bar dizer a uma moça, linda e de vermelho, que a festa do tal Caio, tinha sido cancelada por causa de um acidente de carro. Ele chega perto da moça, e a moça percebe, que não era apenas por Caio que seus sentimentos afloravam. E sim, por ela própria. Ela e Artur vão imediatamente ao motel Papillon. E nesse dia, nem o Ronaldinho podia pará-los.

O Último Capítulo

Helevaldro estava boladão de amor. Mas isso não importava muito. Gesislaine ficou na capa do Batman quando soube. Mas isso também não dizia muita coisa. Disse isso por que ainda não tinha visto Venceslau. Tadinho. Dava dó. Venceslau, um homem tão forte, tão homem... chorando. Isso mesmo: c-h-o-r-a-n-d-o.
Esse final de novela foi fogo. Quando Maxuel matou Alice, sem querer, deu pena. O impressionante é que o pessoal tava até topando o romance entre irmãos de sangue. Esse pessoal ta moderninho, né?
Zé Maria não gostou. Achou muito forte pra´quele horário. Josealda quis dormir no sofá. Não agüentou nem levantar. Olegário, vulgo Lê, ficou no bar até as 3 da manhã. Ele e os cabras mais machos de Irajá não deixaram o Miguel do armazém fechar a porta de metal de jeito e maneira. Miguel disse que os cabras estavam sentimentais demais e voou um copo. Logo se retratou com os clientes e ficou na dele.
Esse final de novela foi demais. Porque que a Waleska tinha que ter ido embora com o Gusmão? E a filha deles? Vai viver na rua pra sempre? A galera ficou chocada quando o Levi virou as costas pro próprio pai no leito de morte.
* * *
João já não tava num dia bom. Tinha ido pra firma e descoberto que o bônus da seção tinha ficado pro seu desafeto. Tava na condução na hora do final da novela. O parecia o único que não assistia o último capítulo, pois até o motorista estava com a sua tevezinha 9 polegadas, e num golpe de vista quase bateu numa cena mais forte.
Joana, achando que seu marido lhe traía, assistiu a novela com seu primo-irmão Antongêlo, que também tinha sido seu primeiro beijo. A emoção da novela faz os dois se abraçarem na parte em que Ariobaldo acha a meia do Maxuel na clausura do internato. Eles se olham. Ela lembra daquele dia de chuva onde os dois enxarcados, na casa de árvore deram o primeiro beijo. Ele olha pra fresta da saia e vê a calcinha úmida. Se beijam loucamente.
Ouve-se um estrondo. Quando Joana chega ao marido, ele já empacotou. O motorista do ônibus também ficou emocionado com Ariobaldo e dessa vez não houve golpe de vista que o salvasse. E dá-lhe poste! Joana com a calcinha ainda úmida sente tanta culpa, que não consegue nem chorar. Mais tarde, na banheira, com a faca de cortar cebola tece uma fina linha em cada um dos pulsos. E acaba o último capítulo.

E, enquanto isso, no ponto de Ônibus...




- Olá, sumido!

- Caramba, oi! Quanto tempo, hein? Fazendo o que da vida, moça?

- Ah, você sabe, né? Estudando pra caramba, trabalhando...tenho saído pouco!

- Eu também! Eu não sei como vocês arrumam tempo. Eu só trabalho e já não consigo fazer mais nada.

- Mas você sabe que com esse negócio de ônibus pra cá, ônibus pra lá, eu retomei o hábito da leitura?

- Ah é? E o que você tá lendo agora?

- O Código Da Vinci!

- Eu nunca entendi esse livro... ele é um romance? Ou é não-ficcional?

- Ah, não sei... Acho que ele é mais assim pra um policial.

- Entendi, é um romance.

- Não, é mais pra policial mesmo.

- Então, um romance policial.

- Não. Não tem romance nenhum, não. É só policial mesmo.

- Aham, você tem razão.

InSenso E Birra



[No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.]
Gênesis

E criou tudo. Se foi ele ou se não foi, foda-se. Ninguém tem tempo pra ficar perdendo com bobagens. “Pelo fato ou pela fé” estamos aí. Estamos aí, não. Eu estou aqui e vocês estão aí. O que dificulta um pouco a minha linha de raciocínio. Afinal de contas, vocês não beberam a garrafa de Antártica comigo e, como ninguém que não é brasileiro lê essa porra, devem estar dormindo.

E enquanto isso o espírito de Deus flanava tranquilamente sobre a face das águas. E por isso demorou seis dias, se não perdesse tempo com frivolidades, tinha feito em três ou quatro dias. O que no mínimo mudaria nosso calendário, né? Mas ele tinha tempo de fazer uma espécie de jet-sky espiritual. É nesse exato ponto que eu queria chegar. Se até o Homem, o Bam-bam-bam, teve tempo de diversão, porque eu não faço o mesmo? Já que eu não consigo dormir, porque eu não vejo TV?


[Não fales aos ouvidos do tolo, porque desprezará a sabedoria das tuas palavras]
Provérbios

Mas escrever pode, né? Porque, na moral, tu escreveu essa porra toda e, se muito, 10% da galera que meteu a mão nessa porreira de papel não era tolo. Tolo pra não dizer burro que nem uma anta! Aí é que eu fico pensando: Não é sacanagem ficar colocando na cabeça de um bando de antas que eles são sábios? Brother, eles foram ao dicionário pra entender a palavra SABEDORIA. No início, quando leram, acharam que era alguma coisa relacionada a bebedouros.

E aí que complica tudo. Porque, esse provérbio, acabou gerando preconceito. Pois ficou um bando de anta falando sabedorias pruma porrada de outras antas. Enquanto os sábios (não é o passarinho,não, ô besta!) ficaram retendo conhecimento. Mó confusão.


[19 Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco: mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.
22 Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho.]
S. João

Além de ser o responsável pela aquela pancada de balões que fazem aquela algazarra quando rola uma queimada, não ficou satisfeito. Meteu o pé na porta e mandou todo mundo pro bebeléu. Todo mundo que não acredita em Jesus é anticristo. Aí meu caralho de asa, se não bastasse a Ku Klux Klan, os nazistas amigos lá do bigodinho, e um outro bando de baderneiros desse tipo, vem a vossa excelência pra meter essa? Faça-me o favor!

E digo mais. Esse negócio de “é nóis” “são todos de nóis” isso é parada do Comando vermelho, mano-brow! Isso dá cana. E das pesadas. Mas fica relax, que essa parada de bloquearem celular lá em Bangu já foi por terra e neguinho já meteu Nextel na mão de geral. Fica de boa, que a chapa ta quente. Que nem no seu livro, tu num falou que a chapa ia esquentar?

Eu, Borges, Copacabana e os Idiotas

Eu sempre fui meio sozinho e eu sempre tive um monte de pessoas a minha volta. Quando eu li pela primeira vez aquela poesia do Borges que dizia que as ruas de Buenos Aires estavam nas entranhas dele eu achava que eu tinha descoberto que as ruas de Copacabana estavam em minhas entranhas. Meu pai me falou outro dia que eu sou muito impressionável. E sou mesmo. E sempre gostei das pessoas porque elas eram impressionantes. Teve uma época que eu gostei muito de um professor de história que lia quatro jornais inteiros por dia, antes de ir pro trabalho. Eu gostava dele. Teve um professor de química que dizia que nós éramos uns merdas, que tinha gente plantando coqueiros no nordeste, e ele achava que coqueiros iam salvar o nordeste, e nós éramos uns merdas mesmo. Depois teve o dono do último colégio que eu estudei que era muito louco, e entrou numa de me achar um gênio, e eu gostava dele porque ele era impressionantemente burro.

Depois, na faculdade eu fiquei amigo de um cara muito louco que morava lá na puta que pariu, mas que me ensinou que se fuma mais no inverno, que sopa com pimenta acompanhada de damascos é muito bom, e que não importava quanto nós lêssemos, que sempre seríamos ignorantes. Até que um dia eu o deixei morar na minha casa e a gente saiu na porrada e eu expulsei ele da minha casa. Eu sempre me impressionei com a idiotice das pessoas. Sempre prorroguei amizades com pessoas idiotas apenas pelo prazer sórdido de rir do idiota. Às vezes fico pensando quem na verdade era o verdadeiro idiota.

O impressionante é que tudo acaba e começa nas ruas de Copacabana. Mesmo que não acabe nem comece lá. Amores, músicas, poemas, loucuras, putarias, mesmices. Para mim, Copacabana é o centro do mundo. As pessoas que falam de Nova Iorque não conhecem Copacabana de madrugada. Eu tenho certeza que em algum lugar de Copacabana neva, e em outro tem uma base de lançamento de foguetes. Tenho um amigo que jura que viu. As ruas de Copacabana estão nas minhas entranhas. O mau humor dos atendentes dos botequins e das bancas de jornal, a vulgaridade das prostitutas da Prado Júnior, o time de futebol dos porteiros da rua, a imensidão branca e escrota do Copacabana Palace, a onda sem fim das pedras portuguesas, a aleatoriedade dos ninhos de pombos que me fazem não dormir e escrever esse texto. Tudo isso me impressiona.

Meu pai nasceu em Copacabana. Meu avo nasceu em Copacabana. Eu nasci em Copacabana. Ora, já se viu que essa família não podia ir muito longe. Quem foi mais longe foi meu pai, que mora em Minas. Eu e meu avô continuamos em Copacabana. Purgando. Quando eu era pequeno, gostava de uma música, do Carlos Fernando com o Geraldo Azevedo, que dizia que “em Copacabana tudo é rei”. Eu rei de um legado de idiotas. E sou meu único súdito.

Ao Fim

Escrevo como sei e sei que sei chegar ao fim assim como se fosse o mar e o cais nunca chegasse a mim fizesse todas as mentiras em tecido de algodão bordando coisas sem sentido no escuro do porão milhões de laços são cadarços são chumaços de papel jogados fora na encolha cada folha o sinal de cada escolha e sem nexo um complexo de ilusões fazendo sexo ou pedindo pizza colorindo pixels preenchendo mil deformações inteligíveis e portanto dirigíveis como e fico satisfeito e no instante fica feito e perfeito mas retorno aos meus cadarços dentro do elevador me ajeitando pelas portas de serviço arranjando artifícios pra ligar e te dizer qualquer besteira e as ruas e avenidas contornando nossas vidas vou vivendo sem ter meta e me meto a fogueteiro apostando no dinheiro e em maços de cigarro misturando meu catarro com as cinzas no cinzeiro escrevo e no entanto fico cego mapeando travesseiros ou olhando para o teto tento adormecer e rolo e controlo desconsolos relacionamentos tolos mais cansado do que antes coleciono mais estantes e instantes de tristezas fortalezas de concreto armado pelas poesias como esta no cinema pai de todos os problemas loteando dias frios navegando na beleza do silêncio dos estios funcionando como tenda atendendo ligações esperando em dezembro a fumaça dos balões das festas de fim de ano decolando na amplitude média das opiniões flutuando nas calçadas ou comendo empregadas e cheirando sal de fruta com a cara deslavada baseando-se na experiência pra não fazer nada e andando sem remorsos sempre pela mesma estrada escrevo com canetas e bucetas voam pelos meus delírios habitando os meu sonhos decifrando os meu grilos não me meto com a meta do poeta enquanto cago não proponho coisas novas mas ao mesmo tempo falo pelos cotovelos pinço coerência nas palavras mãe de minhas promissoras chances de ficar calado e agora fico morto no momento em que me calo.

 

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